CREA-DF
Sexta, 14 Fevereiro 2020 17:43

Programa Mulher: uma marca irreversível no Sistema

Escrito por Equipe Confea, com adaptações
Avalie este item
(0 votos)

O painel do Programa Mulher aconteceu na manhã de sexta (14), no encerramento do 9º Encontro de Líderes Representantes do Sistema Confea/Crea e Mútua, realizado desde quarta-feira, em Brasília.

A expectativa geral do Comitê Gestor do Programa Mulher, que deu início aos debates do painel, é de contribuir para a discussão de temas relacionados à inserção no mercado de trabalho, à representação no Sistema e também a temas mais próximos da realidade das profissionais. Propostas que já vêm sendo conduzidas por meio dos Regionais, de entidades como a Federação Interestadual de Sindicatos de Engenheiros (Fisenge) e, desde o final do ano passado, pelo Confea, conforme exposto no Painel. Em 2018, havia 179 conselheiras titulares (de um total de 1520) e ainda 35 diretoras (de um total de 189). Atualmente, o Sistema registra quatro mulheres ocupando a função de presidente dos Regionais, além de duas conselheiras federais suplentes.

Com bom público até o final, entre homens e mulheres, o Painel Mulher registrou inclusive as participações dos presidentes Ricardo Rocha (Crea-PR), Luís Edmundo Campos (Crea-BA), Fátima Có (Crea-DF) e Ana Adalgisa (Crea-RN) e ainda do presidente da Fenemi, Marco Aurélio Garcia, e do ex-presidente do Confea, eng. civ. Marcos Túlio de Melo.

Integração
Coordenador do Comitê, Joel comentou que o Programa Mulher é de todo o Sistema e “das mulheres”, pois valoriza todas as práticas que ocorrem no Sistema, inclusive nas entidades de classe e instituições de ensino, e também fora do Sistema. “Nosso programa é para envolver a mulher na Engenharia, na Agronomia, na Geologia, na Meteorologia, mas também para falar das questões das mulheres, das agressões e casos de feminicídios etc. É importante também falarmos para os homens, que precisam trabalhar juntos, embora o programa tenha que ter a cara das mulheres. Nessa linha, procuramos formatar esse programa diferentemente do que já ocorreu no passado, quando era muito interno do Confea, sem a integração no Sistema como um todo. Tudo o que faremos terá que passar pelo Conselho Federal, inclusive as tratativas com o Congresso Nacional. Precisamos ter essa integração com o plenário e fora do Sistema”.

Para o presidente do Confea, o Comitê Gestor terá que ter efetividade e trabalhar integrado com todos. “Teremos que ser bem pragmáticos e com segurança jurídica, segurança administrativa e financeira. Sempre deveremos ter uma ação transversal nos grandes eventos, como a Soea, já a partir de Goiânia. É importante também essa integração com ministérios e outros órgãos que tratam deste tema. Trazendo também o Crea-JR, que tem sempre uma boa participação feminina, o que é um bom sinal”.

Coragem e mudança de cultura

A engenheira agrônoma e diretora da Mútua, Giucélia Figueiredo, falou da emoção de discutir “de forma politizada da participação da mulher no Sistema e na sociedade” e de reconhecer a importância dessa temática. “Não existe governança, sustentabilidade sem esse debate. Temos que trabalhar isso não só em forma de gestão, mas de instituição. O Comitê Mulher veio para ficar porque ele terá coragem de debater temas que vão além do nosso Sistema”, disse, parabenizando o presidente Joel e o Comitê Gestor. “Cabe a cada um de nós enraizar esse programa nas nossas bases, nos nossos espaços de trabalho”.

Conselheiro federal, o engenheiro agrônomo João Bosco de Andrade é considerado o padrinho do Programa, por ter sido o relator da matéria no plenário do Confea. Lembrando o Gênesis, o conselheiro afirmou que as mulheres devem ter igualdade com os homens. “Não deve ter diferença. As diferenças são individuais. O que precisa mudar é a cultura dentro de nós mesmos, inclusive dentro das próprias mulheres, que, às vezes, se acham inferiores. Espero que essa igualdade seja alcançada e que a gente mude esse conceito que valorizou muito a força física. Há muitas mulheres competentíssimas, não existe superioridade de gênero. Temos que acabar com o sentimento de propriedade que leva ao feminicídio. Assim, vamos fazer o possível para que essa igualdade seja alcançada”, disse, sendo bastante aplaudido e elogiado posteriormente pelos debatedores.

Comitê defende a igualdade de gêneros
Diretora da Mulher da Fisenge, Simone Baía parabenizou as palavras do conselheiro João Bosco. “Vim para esse comitê com a esperança de ver esse programa em todos os Creas, em todas as entidades, que são a base do Sistema. Vocês estarem aqui tão cedo reforça essa esperança. Queremos ter uma sociedade melhor para homens e mulheres”, comentou em seu primeiro depoimento na manhã.

Engenheira civil, a representante das coordenadorias de câmaras especializadas no Comitê, Flávia Roxim, destacou que o tema vem sendo muito debatido, com foco na igualdade de gênero e do empoderamento das mulheres, das classes e das oportunidades de trabalho. “Estamos trabalhando o ODS 5 que trata da igualdade de gênero. É importante que se saiba os verdadeiros significados das palavras para não divulgarmos informações erradas”.

Diretora da Federação Nacional de Engenharia Mecânica e Industrial - Fenemi, Michele Ramos reconheceu que a entidade é “uma federação praticamente masculina, porque somos poucas engenheiras mecânicas”. Michele Ramos destacou seu ânimo em disseminar as propostas do Comitê. “Hoje, a gente vê uma participação feminina muito maior. É gratificante fazer parte deste painel, é uma honra muito grande”, apontou.

Presidente do Crea-ES, a engenheira civil Lúcia Vilarinho comentou que foi dentro do “coletivo” que se conscientizou da importância da temática. Dizendo-se honrada de representar o Colégio de Presidentes, afirmou que “é muito importante ter essa inspiração em torno da participação feminina, pois a gente precisa de um mundo mais igualitário, mais humano”, afirmando ainda que o conselheiro João Bosco “arrasou” em seu depoimento e que buscará incentivar essa luta.

banner

Feminismo em ação
A secretária executiva do Programa Mulher, Fabyola Resende, destacou a atuação do coordenador do Comitê, comentando que o presidente do Confea “dá muito orgulho às engenheiras”. Afirmou a importância da construção do conceito de “sororidade”, termo que consta do glossário da cartilha apresentada durante o painel, em torno da valorização da sinergia feminina. “Temos que nos manifestar sobre temas relacionadas ao feminino, mas sobretudo construir essa irmandade que será algo que vai ficar para o Sistema”, descreveu, aprofundando em seguida a discussão dos conceitos fundamentais e ressaltando a data de 23 de junho como data da Equidade de Gênero no Sistema.

“Teremos uma ação do Sistema pela primeira vez, com a Secretaria da Mulher da Câmara dos Deputados, um estande do Confea, no mês de março, em referência ao Dia Internacional da Mulher. Assim, vamos criando mais relacionamentos, trabalhando cada vez mais em conjunto”, disse, destacando que o Programa Mulher poderá abrir a consciência dos parlamentares para outras temáticas de interesse do Sistema.

Para Fabyola, é preciso ir além do Painel. “Tendo oportunidades de confraternização, buscando a diferença. Essa cartilha é a primeira versão, vamos torná-la dinâmica, envolvendo novas metas, conforme a participação de vocês”, disse, ressaltando o papel da comunicação do Confea para mudar o cenário atual.

Os regionais e entidades também apresentaram as suas boas práticas no evento. Diretora de Planejamento da Fenemi, Michele Ramos voltou ao painel para descrever as práticas do programa instituído na entidade. “Não adianta ter uma entidade que discuta somente interesses masculinos, e a Fenemi tem discutido bastante a valorização feminina no mercado de trabalho”. Em parceria com o Sindratar do Rio e de São Paulo e com a Ashare - entidade internacional voltada para a área de ar-condicionado e refrigeração, a Fenemi “tem procurado dar suporte às mulheres da área, buscando também desenvolver pesquisas”.
A engenharia química Simone Baía considerou que a Fisenge tem uma história de valorização e empoderamento da mulher. Coletivo e Diretoria de Mulheres são as principais conquistas femininas na entidade, respectivamente, em 2008 e 2011. “Precisávamos estar na instância de decisão, diante de tantas pautas de trabalhadoras, de engenheiras”, diz, informando que combater a desigualdade de gênero e as práticas discriminatórias na engenharia são alguns dos objetivos do Coletivo, que tem promovido a campanha “Soea sem machismo”, nos últimos anos.
Em 2013, foi lançada uma história em quadrinhos em torno da Engenheira Eugênia, personagem “que representou as mulheres reais”, vencedora do Prêmio de Direitos Humanos da Anamatra em Comunicação, no ano de 2016. Já no ano seguinte, havia aumentado a participação feminina na Executiva e no Conselho Fiscal. Em 2017, quando o Cosenge reuniu pela primeira vez 80 mulheres, ficou definida a paridade de representação. Em 2019, outro marco foi a participação de Simone na Conferência Mundial de Profissionais, na Malásia, representando as Américas. “Nossa esperança é de que o Programa Mulher se reproduza nos Creas e nas entidades”, acrescentou.

Última modificação em Terça, 18 Fevereiro 2020 17:51