CREA-DF
Terça, 15 Janeiro 2019 11:30

Tempo de (re)começar

Escrito por Fátima Có
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Segundo a mitologia romana, Jano, o deus dos portais, dos inícios, das mudanças e transições, tinha duas faces: uma voltada para trás, visualizando o passado, e outra, voltada para frente, olhando o futuro. Do seu nome, deriva-se Janeiro, o primeiro mês do calendário gregoriano, seguido pela maioria dos países.

Carregado dessa simbologia, Janeiro traz consigo resquícios de um ciclo que recém acabou e as promessas e apostas no que vem pela frente. É um mês limiar entre aquilo que, querendo ou não, deixamos para trás, e o que desejamos, ainda, viver.

 

Sendo assim, a virada do ano e a entrada em Janeiro podem ser percebidas e sentidas por nós tanto como um período que convida à reflexão – propício para fazer um balanço, um inventário de perdas e ganhos –, como o tempo ideal para a renovação, para novos começos, novos projetos. Pode ser, ainda, tempo que suscita e encoraja ao resgate e recomeço de sonhos antigos, abafados pelas exigências da vida, esquecidos na gaveta do tempo.

Para muitos brasileiros, depois de um 2018 tenso e intenso, a chegada do novo ano trouxe esperança renovada, traduzida, em grande parte, como fé nos novos governantes. Têm agora, os eleitos, um “período de graça” estimado em cem dias para mostrar a que vieram e começar a concretizar as promessas de campanha, as quais incluem mudanças sensíveis na condução da política e da economia do País. O povo está atento e as expectativas são altas.

Para a engenharia, a agronomia e demais profissões tecnológicas, espera-se que 2019 seja um ano de restabelecimento para os profissionais da área, responsáveis por grande parte do desenvolvimento e do PIB do País. Isso implica, por tabela, na retomada de investimentos. Há muito a ser feito em infraestrutura, habitação, mobilidade, desenvolvimento no campo, fomento à inovação, e tudo vai depender da seriedade, planejamento e comprometimento dos governos em relação a esses temas.

Em 2019, a engenharia segue firme também com antigas bandeiras, como a busca da aprovação do projeto de lei complementar (PLC 13/2013) que caracteriza como essenciais e exclusivas do Estado as atividades exercidas por engenheiros, arquitetos e agrônomos no serviço público federal.

Também continuamos na luta contra a utilização da modalidade Pregão para a contratação de serviços de engenharia. É notório que estes não são serviços comuns e, portanto, não podem ser contratados pelo menor preço, sem critérios indispensáveis como habilitação, acervo técnico e capacidade operacional. Do contrário, seguiremos testemunhando projetos e obras de baixa qualidade, quando não abandonadas pela metade, por previsível inviabilidade.

No Crea-DF, a meta principal para 2019 é fecharmos mais de quinhentos Termos de Cooperação com órgãos públicos, como tribunais, agências, ministérios, para que os serviços de engenharia prestados no âmbito dessas instituições sejam feitos por profissionais devidamente habilitados. Não podem pessoas sem habilitação na área estarem exercendo atividades de engenharia. Isso tem que acabar, tanto em razão de nossas prerrogativas, quanto pelo resultado, pela eficácia e pela economia que somente o serviço feito por quem tem habilitação técnica representa.

Dois mil e dezenove está aí, novinho em folha, esperando que escrevamos nossa história em suas páginas.
Que consigamos todos chegar ao fim de mais este ciclo e, ao olhar para trás, antes de seguir rumo ao novo, possamos ver que aproveitamos bem as oportunidades e que fizemos deste um ano próspero, em todos os sentidos.

Feliz Ano Novo. Mãos à obra!

Engª. Fátima Có
Presidente do Crea-DF

Última modificação em Terça, 15 Janeiro 2019 15:07
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