CREA-DF
Segunda, 01 Outubro 2018 17:05

Ética, um compromisso pessoal

Escrito por Fátima Có
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Finalmente! Sobreviventes que somos, todos, das crises no País, chegamos a outubro, mês das Eleições, período decisivo para o futuro dos brasileiros. Em meio aos debates sobre política, bastante polarizados – por vezes gritarias – ouvem-se, de todos os lados, clamores por “Ética”.

 Desgastada, usada à exaustão até e especialmente pelos políticos ficha-suja, por vezes reduzida exclusivamente ao papel de ‘antídoto para a corrupção’, essa pequena palavra de origem grega (éthos) resume preceitos universais, que uma vez apropriados por nós, revelam nosso caráter e nossa natureza, e norteiam nosso modo de ser, pensar e agir em sociedade.

É com base na Ética que constantemente analisamos – uns mais, outros menos – o nosso comportamento e o dos outros em relação ao que é certo e errado, justo e injusto. Juízes de valor que somos, e desde que mentalmente saudáveis, esforçamo-nos para tomar decisões que nos conduzam por um caminho virtuoso, tanto para o nosso bem como para o dos demais.

As profissões da área tecnológica são caracterizadas pelas “realizações de interesse social e humano”, como bem estabelece, logo no primeiro artigo, a lei reguladora do nosso exercício profissional (Lei 5.194/66). Na prática, significa que devemos buscar, em tudo que fazemos, o que é relevante para o desenvolvimento da sociedade, a despeito de qualquer outro interesse menor. E isso exige que tenhamos a Ética como baliza de nossas ações.

Se fazemos escolhas a todo instante, desde que acordamos, não seria diferente durante as horas de nosso exercício profissional. Escolhemos a qualidade dos materiais para a execução dos nossos projetos. Emitimos pareceres técnicos. Decidimos a acessibilidade de uma edificação. Determinamos o conforto térmico e acústico. A segurança. O aproveitamento racional dos recursos naturais. O uso maior ou menor de agrotóxicos. A destinação de resíduos. O atendimento às legislações trabalhista, sanitária, ambiental. Entramos em discordância com eventuais práticas ilícitas de colegas ou patrões. Nessa rápida lista, é fácil perceber a dimensão do poder que nós, profissionais da tecnologia, temos – e a inerente e inescapável responsabilidade pelas consequências de cada decisão tomada. Para cada ação, uma reação. Ou várias...

Não há como isolar nosso conhecimento técnico e nossa postura profissional da vida em comunidade. Por isso, é imperativo pensar nossas profissões não apenas pelo viés da técnica, mas também pelo da integridade moral, da honestidade e da preocupação real com as pessoas e o planeta.

As árvores que derrubamos sem pensar no impacto e/ou no replantio são as mesmas que deixarão de ajudar na redução da temperatura, na economia de energia dos prédios, na redução ou remoção dos poluentes do ar. A conivência com qualquer tipo de irregularidade em uma obra pode significar a futura exposição de pessoas ao risco de morte.

Em primeira ou em última instância, a decisão por ser um profissional ético é sempre pessoal. As consequências de nossos atos, no entanto, serão sempre coletivas, globais, e, quando equivocadas, passíveis de punição. Porque tudo e todos estamos conectados.

Por isso, finalizadas as eleições de outubro, qualquer que seja o resultado nas urnas, não será coerente cobrarmos rigor ético dos futuros governantes se, no dia a dia, nossas atitudes correrem no sentido oposto. Precisamos, conscientes e de maneira comprometida, fazer a nossa parte, firmes naquilo que é bom para todos. Também não é tempo de esperar por exemplos. ‘Nós’ podemos e temos de dar o exemplo. Esse é o meu convite a você.

A ética começa em nós, e repousa na tranquilidade da nossa consciência.

Engª. Fátima Có

Presidente

Última modificação em Quinta, 11 Outubro 2018 16:45

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