CREA-DF
Sexta, 08 Março 2019 10:42

Dia Internacional da Mulher

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Em março é celebrado o dia internacional da mulher, o dia escolhido para celebramos as conquistas das mulheres em todos os setores da vida... seja pessoal ou profissional!

Na engenharia, a presença das mulheres ainda é reduzida, muitos ainda depositam essa culpa ao preconceito, por acreditarem que a profissão é masculina. Mas sabemos que se uma mulher quer ir para obra é porque ela é tão capaz quanto qualquer homem, cada vez mais temos as confirmações que a mulher é o que ela realmente quer ser.

É justo dizer que os empregos no setor da Construção Civil ainda são vistos por muitos como opções não tradicionais para as mulheres. Segundo dados do Conselho Federal de Engenharia e Agronomia (CONFEA), menos de 30% dos registros nos conselhos regionais são femininos.

E, provavelmente, boa parte dessas engenheiras não estão nas obras. Prevalece a imagem estereotipada de homens em botas lamacentas e capacetes duros nos canteiros de obra.

Estima-se que apenas 13% dos profissionais de Engenharia em atuação no Brasil sejam do sexo feminino. Numerosas explicações podem ser oferecidas para essa discrepância, incluindo a falta de orientação/incentivo para as “meninas”, ainda no ensino fundamental, e as demandas de manter o equilíbrio entre o trabalho e a vida familiar.

Para a presidente do Crea-DF, Fátima Có,“não pode haver um pré-julgamento do que uma mulher engenheira poderia ou estaria disposta a fazer. "Penso que tem que se dar igualdade de oportunidade para ambos os gêneros, e deixar a mulher decidir se ela quer ou não determinado tipo de serviço”.


Este ano gostaríamos de compartilhar algumas histórias de mulheres, em gerações passadas, com grandes contribuições para a engenharia. Essas histórias irão inspirar meninas e mulheres que estão apenas começando a abrir caminho neste mundo da Ciência e da Tecnologia, que é um mundo amplo, cheio de opções e áreas de atuação:

 

-- Mary Anderson era uma desenvolvedora imobiliária americana nascida no condado de Greene, Alabama. É conhecida por uma patente de 17 anos que recebeu em 1903 para o projeto do primeiro limpador de para-brisa – embora ela chamasse isso de “dispositivo de limpeza de janelas para carros elétricos e outros veículos”. Infelizmente, ela não conseguiu vender sua invenção e, em 1920, quando o negócio automotivo estava decolando exponencialmente – depois que sua patente expirou – o para-brisa tornou-se equipamento padrão em todos os veículos.

 

 

 

 

 

 

- Em dezembro de 1919, Alice H. Parker, de Morristown, NJ, recebeu uma patente para o projeto de um forno de aquecimento a gás. Embora não fosse o primeiro forno deste tipo, o projeto de Parker foi uma melhoria substancial no design original. Seu projeto desempenharia um papel importante no fornecimento de aquecimento centralizado a milhões de lares e edifícios em todo o mundo.

 

 

 

 

  

- Melitta Bentz é a dona de casa alemã que você pode agradecer pelo excelente cafezinho que deve ter tomado hoje. Ao invés de usar o método colocar grãos de café em uma bolsa de pano e colocar essa bolsa em uma panela de água fervente, ela criou um novo método. Melitta fez pequenos furos no fundo de uma caneca de latão para transformá-lo em um tipo de peneira, depois utilizou um pedaço de papel borrão do caderno escolar do seu filho e assim, criou o primeiro filtro de café. Ela recebeu uma patente para este sistema em 1908 e logo depois fundou uma empresa chamada Melitta, que continua a vender café, filtros de papel para café e cafeteiras até hoje.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 - Katherine Burr Blodgett foi a primeira mulher a receber um doutorado em física na Universidade de Cambridge na Inglaterra. Ela também foi a primeira mulher contratada pela General Electric. Sua pesquisa contribuiu para as necessidades militares, como máscaras de gás, telas de fumaça e uma nova técnica para desobstruir asas de avião. Mas sua invenção mais influente foi o vidro não reflexivo que ainda é essencial hoje para óculos, pára-brisas e telas de computador.

 

 - Marie V. Brittan, que recebeu uma patente em 1969 para um dos primeiros sistemas de segurança doméstica e melhorou sua invenção, criando um controle remoto que poderia desbloquear uma porta. Em seguida, leia sobre Ruane Jeter, que recebeu uma patente para a torradeira, bem como muitos itens diários que ainda usamos até hoje, incluindo um grampeador, removedor de grampos, apontador de lápis, perfuração, calculadora, fita métrica, escala arquitetônica e de engenharia.

 

 

 

 

 

 

 - Elsie Eaves nasceu em Idaho Springs, Colorado, em 1898. Em 1920, se formou em Engenharia Civil na Universidade do Colorado aos 22 anos de idade. Após a faculdade, trabalhou para a Agência de Estradas Públicas dos Estados Unidos, Departamento de Rodovias do Estado do Colorado, e a Ferrovia Denver e Rio Grande.


Em 1927, Elsie se tornou a primeira mulher a ser membro de pleno direito da Sociedade Americana de Coordenadores Civis (ASCE). Por volta dessa época, Elsie começou a aproveitar ao máximo sua educação em engenharia. Ela decidiu fazer uma mudança de carreira e se juntou à Engineering and News Reports (ENR) como gerente assistente para pesquisas de mercado. Ela acabou se tornando Gerente do Departamento de Economia da Construção. Nessa posição, ela dirigiu a medição de ENR do "Planejamento de Pós-Guerra" na indústria da construção. Esses dados foram utilizados pela ASCE e pelo Comitê de Desenvolvimento Econômico para decidir e estimar o trabalho que poderia ser realizado prontamente quando a Segunda Guerra Mundial terminasse. 

Em 1945, ela se tornou gerente de Business News e continuou lá até se aposentar em 1963 e depois de aposentada, foi assessora da Comissão Nacional de Assuntos Urbanos sobre os custos de moradia. Ela também aconselhou o Corpo de Serviço Executivo Internacional sobre os custos de construção no Irã. Em 1957, ela foi a primeira mulher a se juntar à "American Association of Cost Engineers", onde acabou se tornando também a primeira mulher a ser premiada Membro Honorário de Sócio Vitalício. Em 1979, a ASCE lhe concedeu o reconhecimento honorário de seus feitos.

Elsie Eaves morreu em 27 de março de 1983 em Roslyn, Nova York.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Edith Clarke inicialmente se graduou em matemática e astronomia (1908), onde lecionou matemática por 3 anos. Mas sua paixão pelas exatas fez com que em 1911, se matriculasse em engenharia mecânica na Universidade de Wisconsin em Nova York.

Edith Clarke (Engenheira Mecânica).

Mais tarde, deixou Nova York para entrar no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), onde obteve seu mestrado em engenharia elétrica em 1918, tornando-se a primeira mulher a ganhar um diploma nessa área no MIT.

Após sua formação, Clarke trabalhou como engenheira da General Electric, onde desenvolveu uma “calculadora gráfica”. Este dispositivo foi usado para resolver problemas da linha de transmissão de energia elétrica.
Calculadora Clarke.

Após sua aposentadoria da General Electric em 1947, tornou-se professora de engenharia elétrica na Universidade do Texas, Austin. Ela se tornou a primeira mulher a ensinar no departamento de engenharia da Universidade do Texas.

E em 1954, as realizações de Edith foram reconhecidas pela “Society of Women Engineers Achievements Award”, em funções das suas muitas contribuições originais para a teoria de estabilidade e análise de circuitos.

Mesmo diante de todas as adversidades, Edith Clarke nunca deixou de lutar por aquilo que amava. Pois afinal, em pleno século XXI, as mulheres ainda sofrem preconceito em sua área de formação, imaginem então em 1918, onde o ramo da engenharia era governado pelos homens.

No entanto, isso não fez Clarke desistir, muito pelo contrário, suas invenções fizeram a diferença no mundo da engenharia elétrica e para as mulheres e homens em todo o mundo

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Veridiana foi a primeira mulher a graduar-se em engenharia agrônoma no Brasil, na Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (ESALQ), em 1937.

Veridiana Rossetti (Engenheira Agrônoma).

Suas pesquisas são voltadas para as patologias de citros (Phytophtorada gomose), onde identificou a bactéria Xylella fastidiosa, responsável pela praga do amarelinho.

Logo após, buscou aperfeiçoamento nos Estados Unidos na Universidade da Carolina do Norte  em 1947 e na Universidade da Califórnia, em Berkeley de 1951 e 1952.

Durante este período dedicou-se a estudar a fisiologia de ficomicetos e especialização em fungos do gênero Phytophthora.

Integrou a partir de então, a Comissão Internacional de Phytophthora, onde  passou então a publicar trabalhos no Brasil e no exterior. A convite do governo da França e do Institut National de la Recherche Agronomique (INRA),  desenvolveu um programa de colaboração científica, para estudos sobre viroides dos citros.
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Ela ainda, capacitou-se nas técnicas de diagnóstico de vírus transmissores por enxertia para o Programa de Registro de Matrizes de Citros Livres de Vírus, que estava para ser implantado no estado de São Paulo.

Em 1957,  assumiu como chefe da Seção de Fitopatologia Geral no Instituto Biológico. E em 1968, tornando-se Diretora da Divisão de Patologia Vegetal, cargo no qual se aposentou em 1987.

No entanto, seus estudos e pesquisas junto ao Instituto Biológico continuaram mesmo após sua aposentadoria, onde  contou sempre com a colaboração dos colegas do Brasil e do exterior, com os quais realizou e publicou seus trabalhos.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

- Enedina é natural do estado do Paraná, onde formou-se em engenharia civil no ano de 1945, sendo a primeira mulher negra no Brasil a se formar em Engenharia e a primeira mulher a ter essa graduação no estado do Paraná.

Enedina Aves Marques (Engenheira Civil).

Foi no ano de 1940 que ela iniciou sua graduação em Engenharia Civil, na Faculdade de Engenharia da Universidade do Paraná. Antes mesmo de ingressar na graduação, Enedina já lecionava na Escola da Linha de Tiro.

Quando ela se formou em engenharia civil, ela foi demitida da Escola da Linha de Tiro para tornar-se auxiliar de engenharia na Secretaria de Estado de Viação e Obras Públicas do Paraná.

Sendo designada mais tarde para trabalhar no Departamento Estadual de Águas e Energia Elétrica. Durante sua estadia no Departamento, realizou o que para muitos foi seu maior feito como engenheira. Esse feito foi a  construção da Usina Capivari-Cachoeira.

Ela também veio a trabalhar no Plano Hidrelétrico do estado do Paraná, além de atuar no aproveitamento das águas dos rios Capivari, Cachoeira e Iguaçu.

Apesar de ser vaidosa em sua vida pessoal, durante a obra na Usina, ficou conhecida por usar macacão e portar uma arma na cintura. (Palmares, Fundação Cultural).

Geralmente sempre que queria impor respeito, ela atirava para o alto. Era uma mulher cheia de energia, rigorosa e com postura firme e que sempre quando necessário fazia com que a respeitassem.

Pois  além de ser mulher, era negra e trabalhava em um ambiente majoritariamente ocupado por homens.

 

 

 

 

 

 

 

- Ela foi a primeira mulher a receber o titulo de Engenheira Química, no Instituto Superior Técnico (IST), em Portugal, em  1939, onde lecionou até 1984, depois de ter sido a primeira mulher a assumir a docência, numa escola nacional de engenharia.


Ela foi reconhecida na universidade que se formou e lecionou, como uma das mulheres pioneiras em uma profissão que, até então, era apenas ocupada por homens.
Isabel Gago (Engenheira Química).

Podemos dizer que Isabel Gago desafiou “as normas sociais da época” quando “ousou ingressar no universo exclusivamente masculino da engenharia portuguesa”
 

 

 

 

 

 

- Aprille trabalha como engenheira espacial na NASA, a agência espacial americana e, ao longo de 28 anos de carreira na agência, passou por vários cargos na instituição.


Em 1997, ela recebeu um prêmio como mulher mais importante na área de engenharia e ciência do Governo Federal Americano.

Hoje, ela é gerente do projeto “Atlas Instrument”, um satélite que monitora as calotas de gelo polar da Terra e suas mudanças com o aquecimento global.
Aprille Ericsson (Engenheira Espacial).

Foi a primeira mulher a receber um Ph.D* em engenharia mecânica  em Harvard e a primeira mulher afro-americana a receber um Ph.D. no Goddard Space Flight Center, o centro de pesquisas espaciais da NASA.

* O Ph.D, para quem não conhece, é o equivalente ao doutorado, no Brasil.

 

 

 

 

 

 

 - Mary Walton, uma inventora independente, não ficou de braços cruzados diante da poluição produzida pelas fábricas durante a Revolução Industrial.


Em 1879, Mary recebeu uma patente pela invenção de um dispositivo que minimizava a fumaça despejada no ar. Ele foi projetado para desviar as emissões em tanques de água onde seriam liberados posteriormente no sistema de esgoto das cidades. Sendo adotado também em locomotivas.

Enquanto vivia em Manhattan, Mary estava particularmente preocupada com a poluição. Depois de limpar o ar, ela migrou para a poluição sonora, que parecia encher as cabeças dos nova-iorquinos.

Em 1880, quando os trens estavam sendo instalados em todas as grandes cidades, trabalhando em seu porão, Walton construiu um trem improvisado e começou a trabalhar para reduzir o seu barulho. Ela embalou os trilhos em caixas de madeira. A parte externa das caixas foram pintadas com piche, preenchido com areia, e forrado com algodão. O resultado? A vibração dos trilhos foi absorvido.

Em 8 de fevereiro de 1891, depois de colocar sua invenção sob as escoras que sustentavam os trens da cidade, ela recebeu uma patente pelo seu trabalho e deu à cidade um pouco de paz de espírito, diminuindo assim, o barulho ouvido pelos cidadãos. Em seguida, vendeu sua patente a ferrovia metropolitana da cidade de Nova Iorque.

 

 

 

 

 

 

 

Última modificação em Sexta, 08 Março 2019 11:19